28/03/2016

MARVEL VS DC


Sou fã da Marvel. Na infância, Hulk era meu personagem favorito. Entrando na adolescência, comecei a ler Homem-aranha e X-Men. Para mim a DC sempre pareceu mais quadradinha e sorumbática... e agora no cinema essa impressão permanece.

Fui assistir ao inflado Batman vs Superman. Foi pior do que eu pensava. Consigo curtir cinema comercial numa boa, mas aqui pareceu que eu estava vendo um trailer por duas horas e meia. Uma sucessão de cenas de efeito, clipadas, diálogos construídos como bordões, efeitos especiais toscos entre o Playstation 3 e o 4...

A crítica de cinema detonou. Os fãs gostaram. Muitos dizem que é a adaptação mais fiel dos quadrinhos para as telas. Pode ser, e pode funcionar mais como quadrinhos, para fãs, porque como cinema é um desastre. As motivações dos personagens (para lutarem entre si, entre outras) são risíveis, as soluções encontradas são apressadas e didáticas.

Assumo a alcunha de marvelete, porque fica impossível não comparar os dois universos. A Marvel gastou anos apresentando personagens, construindo um cenário para chegar aos Vingadores (e ainda assim, não gosto tanto, porque acho que são muitos personagens mal aproveitados). A DC parece que agora quer recuperar o tempo perdido da noite para o dia. Num único filme joga meia dúzias de personagens para formar a Liga da Justiça. E isso está longe de ser o maior problema do filme.

Por mais que os filmes da Marvel sejam leves e descartáveis, sempre são divertidos. Há bons diálogos, humor, são personagens muito bem construídos. Eu mesmo nunca liguei para o Homem de Ferro nos quadrinhos, mas o personagem de Robert Downey Jr. nos cinemas, para mim, é o melhor super herói de todos os tempos. Se a Marvel não exige demais de seus expectadores, também não insulta sua inteligência.

(Posso ter perdido essa informação; mas uma perguntinha básica para os fãs da DC: o fato de o Superman ser IDÊNTICO ao Clark Kent sem óculos nunca é questionado? Vão fazer o mesmo com a Mulher Maravilha? No filme isso não fica claro. e é um dos menores exemplos de como a DC exige um coração de fã para se acreditar nos filmes...)

Para concluir, o maior defeito de Batman vs Superman é que é um filme chato, cansativo. Murilo (que não gosta nada de quadrinhos) foi comigo e queria sair no meio. Aguentamos até o fim.



Coloco então meu ranking dos dez favoritos de super herói. (Sei que o Batman do Tim Burton tem pouco a ver com o dos quadrinhos. Talvez por isso que eu goste tanto).

Homem de Ferro
Homem Aranha
Batman Returns
Homem Aranha 2
O Incrível Hulk
Dead Pool
Homem de Ferro 2
Batman
Batman o Cavaleiro das Trevas
Vingadores: A Era de Ultron





15/03/2016

VESTINDO A CAMISA


"O Brasil não é um país sério"

“Estou farto de tanta corrupção” (obviedades de um comentarista de timeline: 400 curtidas)

Há dias que não falo nada. Só observo. Quietinho acompanho (de casa) as manifestações, cobertura sobre as manifestações, comentários sobre a cobertura. Faço a Glória e não me considero apto a opinar.

Política não é meu campo. As minhas opiniões são óbvias. Não fazem diferença e não tenho nada a acrescentar. Mas permanecer calado observando, em tempos de manifestação política, é mostrar-se alienado.

Nunca torci para time nenhum. Nunca entendi a razão para se ter um time. É pelo hino? É pelas cores? Gosto da camisa preta, gosto da camisa azul. O time tem uma personalidade em si? O jogador para quem você torce hoje não pode amanhã estar no time adversário ? Essa questão segue atualmente comigo em relação aos partidos políticos.

Me parece uma escolha aleatória e irracional. Me parece óbvio. Gosto da estrelinha. Sou do clube dos tucaninhos. Minha prefeita petista é do PMDB. “O cachorro é um lobo mais manso.”

Num cenário de corrupção institucionalizada, culpar o PT, defender o PT me parece tão ingênuo, tão fantasioso, tão óbvio, que tenho medo de estar fazendo papel de idiota. Não fui à manifestação porque me pareceu dirigida a um bode expiatório. Escolhe-se o governo como personificação da corrupção, lavam-se as mãos, e com um golpe o resto do bando assume. (Quem sabe Dilma não volta numa próxima como ministra do Aécio?)

Mas isso não é dizer o óbvio?

Domingo saí para almoçar e vi o povo de amarelo, camisa da CBF, grife de corrupção, ir protestar contra sei lá o quê, passear na Paulista, levar o cachorrinho, babá empurrando o carrinho das crianças...

O que importa é a mensagem. 

A imagem emblemática inflamou as discussões dos últimos dias. É apenas uma imagem, mas são apenas discussões. Pessoalmente acho estranho alguém precisar de babá quando os dois pais estão presentes. Acho estranho precisar de uma babá para empurrar o carro dos filhos num domingo à tarde. Acho mais estranho levar a babá uniformizada de branco numa manifestação política. Mas cada um faz o que quer; estão gerando emprego, pagando impostos, não estão fazendo nada de ilegal...

E cada um comenta o que quer. Se estão numa manifestação política, estão lá para passar uma mensagem, mostrar publicamente o que pensam. Estão sujeitos à crítica dos que não concordam.  

Eu acho que a primeira mensagem que eles me passam é: “Precisamos dos pobres para empurrar o carrinho dos nossos filhos.” E o casal ir dessa forma numa manifestação e nem compreender o que a imagem poderia transmitir me parece mais um agravante de alienação, como o casal que vestiu o filho de macaco no carnaval.

Você também pode dizer: “A patrulha da esquerda está demais. Não se pode nem sair de casa com a babá.”

Pode. E quem acha essas manifestações incongruentes também pode se expressar. Essa é a beleza da democracia que ainda temos...

A mim parece óbvio.

Por isso fico quietinho.

Ops...

01/03/2016

PEDAÇOS DE VIDA

Resenha que publiquei na Folha do último final de semana: 

O formato de observação do cotidiano da crônica requer não só um olhar atento do autor, mas um pertencimento a uma realidade comum. O talento de um cronista, mais do que causar estranheza ou incômodo, está em gerar identificação. Assim, o grande escritor do gênero é o que consegue dizer o que todos já sabem, de uma maneira absolutamente própria.
Fabrício Carpinejar cumpre esses requisitos em parte. Os volumes que trazem suas memórias como filho e como pai são fragmentos imediatamente identificáveis de infância, com um lirismo suave que gera um sorriso de canto de boca. São oito títulos divididos em duas coleções. Na “Vida em Pedaços”, com ilustrações de Eloar Guazzelli, Carpinejar narra uma infância praticamente arquetípica: futebol na rua, avó no fogão, maçãs para professora, fruta comida do pé. Mesmo a estranheza do personagem parece obedecer à rígida cartilha de infância. Não há nada de original no menino Fabrício. Já na coleção “Pedaços de Vida”, ilustrada por Ana Pez, Carpinejar conta sobre as inseguranças e certezas da paternidade, e sua relação com os dois filhos, um menino retraído e uma adolescente típica.
São relatos coloridos pelo talento de Carpinejar como poeta. Excelente frasista, consegue sintetizar verdades e senso comum de maneira precisa: “Amar é não ter paz.” “O caçula é dos filhos o que não se acostumou a nascer.”Quando criança, errar é poesia. Quando adulto, errar é malandragem.” “As olheiras são sonhos que se repetiram”. “Praça é quando duas ruas se casam.” “Uma mãe acabou de ser mãe. Frase engraçada. Mãe é nunca acabar de ser.” Porém em oito volumes (ainda que curtos e que possam ser comprados separadamente), alguns relatos mais tocantes acabam se perdendo numa coleção inchada. (Talvez funcione melhor numa leitura mais preguiçosa e despretensiosa do que a exigida para uma resenha de jornal).
O projeto gráfico em si, e a tradição da editora no segmento infanto-juvenil, geram certa confusão sobre a que público os livros se destinam. Apesar de se tratar da infância, não são de forma alguma livros para crianças; é literatura infantil para adultos, que pode também seduzir adolescentes mais sensíveis. Acertando em cheio nesse tom, as ilustrações da espanhola Ana Pez se sobressaem.
Como um todo, os oito volumes de memórias de Fabrício Carpinejar formam uma leitura prazerosa e inofensiva. E se o texto nunca chega a alcançar a genialidade, tem o mérito de jamais resvalar na pieguice.

Avaliação: Bom

GANHAMOS NOLL

(João Gilberto Noll, 1946-2017) Perdemos Noll. Acordei nesta quarta com mensagens me contando, Rodrigo Casarin do Uol me pedindo um...