30/04/2014

#Samutudocuelho





Há muito tempo que eu não tinha um bicho de estimação. Meu querido iguana Araki ficou cinco anos comigo, daí me mudei para Florianópolis, tive de doá-lo, e dois anos depois soube que acabou morrendo.


Eu e Araki. 

Ter um animal de estimação é um grande comprometimento, responsabilidade e custo. Acho cruel manter um animal dentro de um apartamento, e acho estafante ter de levar todo dia para passear; por isso, cachorro nem pensar. Gato também iria requerer uma estrutura que eu não tenho. Morando sozinho, viajando muito, com meu destino incerto, tinha desistido dessa possibilidade.

Mas...

 A pequena explorando aqui em casa. 

Sábado passado eu e o Murilo subíamos a Augusta quando demos com a recém-inaugurada loja da Cobasi (post não-patrocinado, ok?). Fomos dar uma olhada e, como crianças num shopping, nos apaixonamos por uma coelhinha. 

Fizemos uma bateria de perguntas. Não há vacina, a alimentação básica é uma ração barata, não precisa de muito espaço nem de muitos acessórios. Eu não tenho viajado tanto, e eu e o Murilo sempre podemos nos revezar em cuidar dela. O preço do animal em si estava R$44, compramos por impulso na mesma hora.  

 Ela, ainda no petshop.


Com ela já em casa, fui pesquisar na Internet (não faça VOCÊ isso em casa; pesquise antes). São escassas as informações sobre coelhos pet no Brasil. Pesquisando em inglês dá para achar muito mais coisa, mas as informações são sempre conflitantes.

O atendente me aconselhou a mantê-la SEMPRE em gaiola, e só soltá-la eventualmente, o que achei uma maldade. Resolvi construir a toca dela na área de serviço, que pode ser fechada, como fazia com o Araki, e soltá-la pela casa quando eu estiver. Li em tudo quanto é lugar que eles roem tudo o que encontram pela frente - principalmente fios de produtos eletrônicos - então é preciso ficar atento. Também li que era um pouco demorado, mas possível ensiná-los a fazer as necessidades no lugarzinho deles. Isso, por enquanto está tranquilo, ela já está se acostumando a fazer nos jornais da área de serviço, onde tem a comida e água dela.


Tomando sol na sala... com uns fios prontos a serem roídos. 

Li muitas matérias sobre o temperamento dos coelhos, dicas de como fazê-los perder o medo, se acostumar com o dono, essas têm sido totalmente desnecessárias. Ela é completamente dócil e desinibida. Ando pela casa com cuidado porque ela está sempre no meu pé, cheirando, lambendo. Eu me deito para ler no quarto e ela vem de mansinho, sobe em cima de mim e lambe meu rosto. Ontem ficou horas dormindo no meu colo, mas... quando saiu, soltou umas bolotinhas. Ninguém é perfeito. Pelo menos o cocô é seco.


Com o segundo pai. 


Outras informações conflitantes são quanto à alimentação. Nos sites gringos a alimentação parece se consistir de feno. Aqui tem ração - e aconselham a dar algumas verduras, frutas e legumes só uma vez por semana. Mas a questão mais dispare é quanto aos banhos e água. Os sites gringos ensinam a como dar banho, indicam o melhor pote de água - aqui o atendente me disse enfaticamente para NÃO dar banho, nem mesmo deixar ter QUALQUER contato com água, porque pode gerar fungos. Me senti comprando um Gremlin! Até o bebedouro comprado para ela impede que ela se molhe, ela bebe enfiando a língua numa linguetinha.  

 Enfim, com tanta informação desencontrada, vou ter de descobrir na raça como lidar com ela. Por enquanto tem sido fácil e uma delícia - até porque nunca tive um animal carinhoso assim, meu iguana era o capeta encarnado. E se você tiver dicas de como cuidar de um coelho, agradeço ;)

 O tamanho dela em relação à minha mão. Mas ela vai crescer... bem....

Batizamos ela de ASDA, que é o nome de uma rede de supermercados na Inglaterra... mas que deu origem a uma bela música do Suede. Estou me contendo agora para não ficar postando o tempo todo foto de Asda comendo, foto de Asda dormindo, Asda escondida, Asda fazendo cocô...

Quando estiver mais expert no comportamento de coelhos, coloco mais dicas aqui... ou então trago belas receitas para um jantar romântico...




Ela já tem música tema. 

25/04/2014

DEBATE EM DEBATE


"Nuevos Narradores Iberoamericanos", em Madrid (2010). 

Livro novo saindo, lançamento marcado em São Paulo, começam a pipocar os pedidos e perguntas de leitores de outros estados. Estou me esforçando para circular mais, fazer lançamento pelo menos nas principais capitais, mas isso é algo que depende menos de mim e da editora do que os próprios leitores.


Com Michel Melamed e Daniel Galera na Bienal Rubem Braga (Cachoeiro do Itapemirim, 2010).


O lançamento a seco, numa livraria, é algo que geralmente não compensa financeiramente. Aqui em São Paulo tenho amigos, família, uma maior quantidade de leitores por essa proximidade e pelo próprio tamanho da cidade. Dá para se esperar uma venda razoável numa noite de autógrafos. Fora de São Paulo, é preciso contar com a disponibilidade dos leitores (termo que sempre prefiro no lugar de "fãs"); se consigo vender 30, 40 livros já é uma conquista, mas que não chega a justificar o investimento com passagens, hospedagem, os próprios gastos e perda de um dia de trabalho por estar fora de SP.

(Você, que já me viu em algum evento fora de SP, em Porto Alegre, Recife, Cachoeiro do Itapemirim, pôde ter uma ideia efetiva de quantos lá realmente compraram o livro.)

Os eventos maiores, dentro da programação de algum festival ou bienal, são mais vantajosos, porque geralmente já têm uma cobertura de imprensa maior, atraem não só seus leitores prévios como uma pá de curiosos, geram pelo menos uma boa divulgação. O público que não me conhece pode ir lá ver o que tenho a dizer - às vezes não tem dinheiro para comprar o livro na hora, mas sai com um interesse e conhecimento maior da minha obra... ou perde a vontade de vez.


Festival Facyl em Salamanca (Espanha, 2013). 

O mínimo que um evento desses deve oferecer ao autor é passagem e hospedagem. Alguns oferecem auxílio alimentação. Muitos não oferecem cachê. Pode se discutir a questão do cachê pois afinal "o autor já está lá divulgando seu livro", mas gosto sempre de comparar com a situação do músico. Se um músico não costuma fazer show de graça para divulgar seu CD, o escritor também não deveria participar de debates ou palestras de graça para divulgar seu livro.

Ainda assim, compreendo que muitos festivais literários são feitos na raça, sem patrocínio algum, com os organizadores lutando para conseguir apoio, passagens, um hotel; já participei e participo de muitos eventos sem cachê, é um investimento que faço do meu bolso (um dia de trabalho que perco; o táxi que pago para o aeroporto...) para divulgar o livro, encontrar leitores ou mesmo conhecer uma cidade nova.


Feira do Livro de Guadalajara, 2013. 

O valor do cachê pode ser discutido, geralmente não é alto. A coisa pega quando o festival ostenta grandes patrocinadores, tem dinheiro público envolvido, mas os autores não estão ganhando porra nenhuma, ou só uma ajuda de custo. Pior ainda quando se descobre que alguns autores estão ganhando, outros não.

Pode se argumentar que o investimento deveria ser feito pela editora - e muitas vezes é. Já participei de eventos em que a editora pagava passagem, a organização arcava com a hospedagem. Mas novamente pode se comparar com a música - não se espera que uma gravadora pague para o músico tocar na sua cidade, isso é responsabilidade de quem organiza o evento.

E quem organiza o evento? Os leitores cobram que eu esteja em Brasília, no Recife, em Palmas, mas eles mesmos estão mais próximos da organização do evento, sabem melhor o que vai acontecer na sua cidade, são alunos ou amigos dos curadores, podem indicar os autores que querem ver, ou podem eles mesmos arregaçar as mangas e lutar para criar um evento na sua cidade. Não se pode esperar sempre por um "poder maior" que crie uma Flip na sua cidade; os eventos mais bacanas de que participei foram organizados por leitores, por escritores, que geralmente começam no tranco, e vão crescendo, ganhando prestígio, verba e cachês.


Em Campo Grande.

Acho absurdo, por exemplo, meu livro ter sido leitura de vestibular na Paraíba e NINGUÉM de lá ter organizado um evento para me levar. Sei que este ano Mastigando Humanos é leitura obrigatória em colégios de Salvador, que é uma cidade que não conheço. Também tenho livros lançados na Itália e Portugal, mas nunca me convidaram para nada por lá (Portugal conheço como turista). Na Espanha a editora se empenhou e conseguiu apoio para uma mini-turnê minha, ano passado.




"Ave Palavra" com Anderson Pires, em Juiz de Fora (2012)

Sei que sou um autor controverso. Minha literatura é provocativa, flerta com o sórdido e o obscuro. Sou visto com desconfiança no meio acadêmico; não sou queridinho dos prêmios literários; não tenho um discurso padrão nem dentro do meio literário - o que já me faz ser visto como "polêmico" por alguns, sendo apenas verdadeiro. Sei bem o quanto isso me abriu portas, mas também fecha portas importantes (e cada vez mais acho que o saldo é negativo). Nessa cruzada só posso contar mesmo com meus leitores, que estão crescendo, estão se fortalecendo - já trabalho hoje com editores que foram meus leitores na adolescência, veja só. E os leitores que querem me encontrar são os que devem tentar me levar mais longe. Assim continuo rastejando, penetrando entre as frestas, sonhando com o dia em que os répteis voltarão a dominar a terra.



ALGUNS DOS EVENTOS LITERÁRIOS MAIS BACANAS DE QUE PARTICIPEI: 



Com Chico Mattoso e João Paulo Cuenca mediados por Paulo Roberto Pires. 


FLIP: É inegável a projeção que uma Flip tem. E tive a sorte de participar da primeira, em 2003, bem no início da carreira. Foi uma ótima inserção no meio literário - onde caí de paraquedas - com discussões que se estenderam nas mesas dos bares, nas grandes festas, almoços e jantares. Como minha turma é outra, nunca mais voltei. (Virou um desses casos em que aguardo a era dos répteis...)




JORNADA LITERÁRIA DE PASSO FUNDO: Evento fantástico em que se fala para milhares, milhares de estudantes que de fato leram os livros. Os autores selecionados têm seus livros previamente adotados em universidades ou colégios da região, então você vai lá de fato encontrar seus leitores. Nunca me esqueço da sensação de chegar à cidade e encontrar no quarto de hotel um livro didático com questões sobre Mastigando Humanos.



Com João Silvério Trevisan e João Gilberto Noll. 

BALADA LITERÁRIA: Essa é das boas panelinhas de se fazer parte. Organizada pelo meu brother Marcelino Freire, já participei diversas vezes, como mediador e debatedor. Mas como o nome próprio diz, vai além dos debates e se espalha por festas, shows, exposições. O ano em que mediei um bate-papo com João Gilberto Noll (meu maior ídolo na literatura) sempre será especial para mim.



Com Cristhiano Aguiar.  

FREEPORTO: Um ótimo exemplo daqueles eventos organizados na raça, por um grupo de leitores-escritores do Recife. Tinha uma programação "psicodélica" bem divertida que também ia além dos debates.




Com Ivana Arruda Leite, mediados por Carlos Henrique Schroeder. 

FESTIVAL NACIONAL DO CONTO: Outro evento de militância, organizado pelo querido Carlos Henrique Schroeder em Santa Catarina, que valoriza o conto e contistas, que geralmente são vistos abaixo do romance no meio literário. O ano em que participei teve uma programação recheada de amigos e colegas queridos, como o Galera, Ivana, Joca e Marcelino.



Com Bernardo Azjemberg e Fernando Molica. 


FÓRUM DAS LETRAS DE OURO PRETO: A cidade em si já é maravilhosa. Mas o evento organizado pela Guiomar de Grammont não fica atrás. Discussões temáticas das mais diversas com autores, editores e tradutores, que só poderiam ser organizadas por quem realmente entende da coisa.


Com Ana Paula Maia. 

SEMPRE UM PAPO: Já participei duas vezes, devo participar novamente em breve, e sem dúvida é dos eventos com melhor estrutura. Organização impecável, sempre gera ótima imprensa e longos bate-papos que ficam disponíveis no YouTube. Acontece durante o ano todo (o que é ótimo por um lado, mas também faz com que os bate-papos fiquem isolados e os escritores não se cruzem, o que é uma perda).




BOGOTÁ 39: Não acho justo colocar os eventos internacionais aqui, porque só a viagem e a experiência são sempre imbatíveis, mas se tivesse de eleger só um, obviamente seria o Bogotá 39, evento em que participei em 2007, com os "39 escritores com menos de 39 anos mais importantes da América Latina". Não foi muito noticiado no Brasil, mas ecoou fortemente na América Latina (e isso me rendeu diversas viagens pelo continente e Europa). Além do intercâmbios com outros escritores jovens, tivemos festas, jantares e publicações inesquecíveis. Espero que os três anos que me restam como "jovem autor" me rendam outras dessas...

22/04/2014

LANÇAMENTO



O livro começa a ser vendido em breve. Além do lançamento em SP, dia 10 de maio, já estamos marcando datas em BH e no Rio (o resto dependendo sempre dos convites, eventos literários...).

Fique ligado na página "Agenda", que atualizarei por lá.

E semana passada já saiu uma entrevista bem bacana sobre o livro no jornal "O Fluminense", do Rio.

Leia aqui.

17/04/2014

PERIPÉCIAS DE PÁSCOA


Fui mal acostumado desde a infância e procuro respeitar as datas, trocar presentes; daí todo mês tem aniversários, Natal, Páscoa, dia das mães e o caralho.

Então nessa Páscoa eu e Murilo decidimos inovar e confeccionarmos nossos próprios ovos de Páscoa exóticos.




O primeiro foi o tradicional de chocolate ao leite, mas acrescido de cachaça e amêndoas e traços de chocolate branco.


Fizemos um ganache meio branco, meio ao leite para cobrir.


Depois veio a grande invenção. Ovo branco recheado com ganache de... Wasabi!

A ideia veio de um Kit Kat de wasabi que comi no Japão. Ano passado fiz brigadeiros de wasabi para meu aniversário e deu muito certo. Agora resolvemos testar no ovo de Páscoa. Foi só misturar chocolate branco derretido, creme de leite e wasabi para rechear o ovo.


Depois de recheado, foi tapado com chocolate ao leite e amêndoas.

Ficou bonito. Se ficou bom, minha mãe e minha irmã que poderão dizer - hihihi - porque só provamos da panela.  Não íamos morder o ovo pronto, já durinho.

E aqui já embalamos. Não tive coragem de usar minha sobrinha de cobaia (ainda mais com wasabi...), então comprei um coelhinho e ovinhos da Kopenhagen para ela.

UPDATE: Experimentei nesta sexta o ovo que fiz para minha irmã. Super aprovado.Ficou com o recheio macio e com um leve gosto de cachaça (a metade negra) e wasabi (a metade branca).






E fica aqui minha mensagem de Páscoa para vocês.




06/04/2014

GRANDES SHOWS



Suede em São Petersburgo (2011)

Não me empolguei em ir ao Lollapalooza. Não tinha nenhuma banda que eu realmente gostasse, e não sou um entusiasta de festivais em si. Mas vendo tantos amigos postando, fiquei pensando nos melhores shows que fui, nos que me decepcionei, nos que ainda queria ir. Daí fiz minhas listinhas. Vários ficaram de fora (Rufus, Peter Murphy, McAlmont and Butler), porque tinham de ser lista de dez. Mas vamos lá.

Os melhores shows da minha vida: 

Suede em São Petersburgo (2011)
Claro, é minha banda favorita, e ver de pertinho, na Rússia, com sete músicas inéditas (das quais apenas duas acabaram sendo gravadas) foi muito especial. 

David Bowie em São Paulo (1998)
Apesar de a turnê (e o disco) Earthling estarem longe de ser o ponto alto da carreira de Bowie... é sempre Bowie. E ver em São Paulo, com os amigos, foi especial. 

Sex Gang Children em Londres (2002)
Daquelas bandas obscuras que eu nunca achei que fosse ver ao vivo, de pertinho. Chapado de ecstasy deixou tudo mais divertido. 

Michael Jackson em São Paulo (1993)
Daquelas mega produções. Eu era adolescente, fão do Michael (ainda sou), e foi um show histórico. 

Marina Lima em São Paulo (2007)
Aquele show absurdo da Marina, trevoso e teatral, que foi gravado para virar DVD e nunca veio, no Auditório Ibirapuera. 

Patrick Wolf em Helsinque (2011)
Foi um raio de luz no meu inverno profundo na Finlândia. Além de cantar, ele tocou piano, violino, harpa, violão. Foda. Depois disso que virei fã. 

Siouxsie and the Banshees em São Paulo (1995)
O repertório do "The Rapture", último álbum de estúdio da banda, é imbatível. E ver no auge da adolescência foi lindo. 

Pulp em São Paulo (2012)
Há muitos anos que não ouvia mais Pulp. Mas esse show com Jarvis em grande forma me reconquistou. 

Einsturzende Neubauten em São Paulo (2000)
Não era grande fã da banda. Mas tinha amigos em comum e acabamos saindo com eles antes do show, assistimos em esquema privilegiado e foi sensacional. 

Kylie Minogue na Parada Gay de Madrid (2010)
Show curtinho, mas GRATUITO, para encerrar a parada gay de Madrid. Preciso dizer mais?


E as maiores decepções...

Prodigy em São Paulo (1999)
Foi um show gratuito (não lembro por quê). Som baixo. E convenhamos, Prodigy não é banda, ao vivo, na luz do sol, em esquema de show fica uma discotecagem meia boca. 

Placebo em Florianópolis (2005)
Coloquei Florianópolis mas fui em TODOS os shows dessa turnê (porque basicamente eu estava lançando livro nas mesmas cidades). Os shows foram todos IGUAIS, em piloto automático, sem tesão nenhum. 

Bjork em São Paulo (1997)
O primeiro show dela, no Freejazz, não tinha banda, era um programador e alguns músicos convidados. Uma coisa live P.A. meio tosca...

La Toya Jackson em São Paulo (1994)
Esse só não foi uma decepção tão grande porque eu não esperava mesmo grande coisa. O show da irmâ maldita de Michael tinha ela, dois bailarinos e só. Não tinha UM músico no palco e era INTEIRO em playback. Tosco até o osso. Não vou nem contar que acabei batendo uns papos com a boneca, porque não merece... Provavelmente é o show mais bagaceiro que vi. 

Madonna em São Paulo (1993)
Tá, sei que vou receber pedradas. Mas Madonna é tosca, era tosca, sempre foi tosca. Não canta, não dança, faz aqueles shows cafona com bailarinos... Imagina isso nos anos 90, num show 90% playback. Não me convenceu nem como adolescente. 

Lady Gaga em Helsinque (2010)
Eu não conhecia Lady Gaga direito. Tantos amigos falavam, que fui conferir quando estava em Helsinque - era mais fácil, mais barato, fiquei mais perto do palco (isso porque comprei minutos antes do show). Esperava uma cantora mais alternativa, achei cafona como Madonna. Esses shows de dançarinos. Ela canta, ok, mas voz chata para caralho. Chato. 

Siouxsie and the Banshees em Londres (2002)
Além do lindo show de 95, fui nesse em 2002, em que Siouxsie estava mega desafinada. Para piorar, assisti sentado, de longe, não combinava com o setlist punk. Broxante. Saiu em DVD, BTW.

Antti Tuisku em Helsinque (2010)
Também não foi grande decepção porque não sabia o que esperar. Antti Tuisku é uma espécie de Rick Martin finlandês. Eu estava passando na frente de uma boate, vi uma fila de adolescentes, perguntei o que era e resolvi conferir. É tosco, mas até que divertido. 

Alceu Valença em São Paulo (1983?)
Provavelmente este é o primeiro show a que fui. Eu adorava (sei lá por que) os discos do Alceu Valença quando era bem pequeno. Minha mãe me levou a um show no Ginásio do Ibirapuera, eu devia ter uns seis anos, mas ele não cantou direitinho como estava no disco, e ainda tinha uma coisa (precursora) de stand up. Sei lá. Não deu certo para o pequeno Santiaguinho. 

Marilyn Manson em São Paulo (1997)
Eu era bem fã de Marilyn Manson. O show não foi péssimo, mas tenho a impressão de que eles são melhores em estúdio mesmo. Compensou que acabei conhecendo a banda mais tarde, no próprio quarto de hotel. Mas isso é outra história...

E as bandas que mais queria ver ainda... Algumas impossíveis: 

Blondie
Eles ainda fazem shows. Mas Debbie está tipo com... 70 anos (sério). 
Eurythmics
Fazem shows raramente. Annie solo também servia, mas também não tem feito turnê. E tá meio velha chata engajada. 
Catherine Ringer
Essa ainda tá em forma e daria para rolar num esquema de Sesc. Ou então numa viagem à França. 
Sinéad O’Connor
Também não está no auge. Mas acho que daria para rolar. 
Royksopp
Apesar de ser dos meus grupos favoritos, não são exatamente uma banda, o show é meio uma discotecagem, então não me empolgo tanto. Mas iria, claro. 
Marion
Eles vêm e vão. No Brasil certamente seria impossível. 
Grace Jones
Ela também tem sei lá quantos anos... mas é negra, então não conta. Acho que daria para rolar. Em 2002, fui num festival em Londres em que ela iria cantar, mas tive de ir embora antes, para ir trabalhar. 
Kwan
Das minhas favoritas. Mas visto que é uma banda finlandesa que não existe mais, vai ser difícil...
Lori Carson
Nem nos Estados Unidos ela é conhecida e faz show direito. Mas queria...

Rocio Jurado
Visto que ela está morta....


03/04/2014

TRAILER




Trailer de BIOFOBIA! Espalhe ;)

Talento, voz, rosto, tudo murcha com o tempo. A natureza é madrasta e, para um roqueiro de meia-idade que já viveu todos os excessos de sua geração, a natureza só existe como ameaça, inimiga, perversa. Isolado numa casa de campo, após o suicídio da mãe, André enfrentará suas frustrações e medos internos, enquanto o mato cresce lá fora e o solo espera por seu sangue.


A crise existencial do protagonista, sua relação com a irmã, com a ex-namorada e com a mãe morta desenrolam uma série de questões sobre arte, mercado e permanência, com um humor negro provocativo típico do autor. BIOFOBIA é a volta de Santiago Nazarian ao thriller, seu primeiro romance adulto em cinco anos, flertando com o terror numa narrativa tão literária quanto cinematográfica.

TRAILER 1
Ficha Técnica:
Direção: Nicolas Graves
Roteiro: Santiago Nazarian e Murilo de Oliveira
Com: Andrea del Fuego 

Thiago Pethit 
Lourenço Mutarelli
Valentina Nazarian
Marcelino Freire 
Murilo de Oliveira 
e Cléo De Páris
Trilha Sonora: Felappi
Edição: Nicolas Graves
Produção: Santiago Nazarian
Produção Executiva: Editora Record



Gravações. 


O trailer teve pré-estreia exclusiva ontem, no Vírgula, com uma entrevista bem bacana que você pode ver aqui: 

http://virgula.uol.com.br/diversao/literatura/nao-ha-espaco-para-literatura-pop-no-brasil-diz-santiago-nazarian-que-lanca-novo-livro


O jornal literário Rascunho publicou um bom trecho. Já dá para ter uma boa ideia do tom do livro, de como começa. Aqui:  

http://rascunho.gazetadopovo.com.br/biofobia/


O livro está indo para o forno, deve sair final do mês. Lançamento em São Paulo dia 10 de maio. Esta semana recebi a prova, reli o livro inteiro. Estou bem satisfeito. Ficou com 240 páginas. 


Agora é controlar minha própria ansiedade, porque em literatura nada muda da noite para o dia. É essa batalha incansável de continuar fazendo por prazer e depois tentar colher o que merece. Os frutos podem ser amargos, mas o amargo também tem seu sabor.



O livro (falso) que foi usado nas gravações. Só falta o recheio. 





GANHAMOS NOLL

(João Gilberto Noll, 1946-2017) Perdemos Noll. Acordei nesta quarta com mensagens me contando, Rodrigo Casarin do Uol me pedindo um...