29/10/2010

A FELICIDADE SÓ ACONTECE AOS SÁBADOS

Em Osaka, madrugada dessas. Meu hotel em azul ao fundo

Acabo de voltar de uma viagenzinha pelo sul do Japão: Kyoto, Osaka, Hiroshima e Miyajima. Foi uma maratona de dois dias mais para conhecer cenários clássicos e provar a mim mesmo que eu posso me locomover pelo Japão do que para de fato conhecer as cidades.

Chegando a Kyoto - ouvindo My Chemical Romance,"I´m Not Ok" - no Ipod, para compor com o visual.


Não é fácil. Até arrumar hotel é difícil, se você não consegue ler as placas (é, só os hotéis mais caros e mais internacionais tem "Hotel" escrito no alfabeto romano). Mas depois que você formata o cérebro pra entender como a coisa funciona aqui, fica tranquilo viajar. Fui naquele trem bala, que parece bem um avião, inclusive na falta de conforto - não se compara aos trens europeus. Mas é um país relativamente pequeno e você consegue fazer um bom trajeto em pouco tempo.


O lindo templo de Kiyomizu-dera, em Kyoto.


Kyoto foi só uma caminhada até o templo mais famoso. Claro que consegui me perder e acabei num cemitério lindo, com montanhas ao fundo. Fui caminhando no cemitério, olhando as montanhas, pensando que afinal seria bem mais interessante passear por lá do que ir num templo recheado de turistas; e quando estava chegando no alto... cheguei ao templo; que ficava no alto da montanha, atochado de turistas.

Pode enterrar.

Chegando a Osaka não pude deixar de visitar o aquário - um dos mais famosos do mundo. Lindo lindo, com golfinhos, tubarões, leões marinhos, pinguins e outros bichos que vejo na porta de casa, em Florianópolis. Uma experiência onírica e relaxante, em parte também pela música ambiente hipnótica, que uma hora começou a me dar nos nervos. Na saída do aquário, você ainda pode tocar numas raias e micro-tubarões de um tanque.

Televisão de gato.

Aproveitei a noite em Osaka também para cair na balada, que não aconteceu. Encontrei um labirinto de bares e boates, todos vazios. Fui pulando de um para o outro, conversando com um barman aqui, tentando conversar com outro lá, procurando a balada perdida-escondida, que não iria acontecer numa noite de quarta, em Osaka.


Será que agora o barman me entende?


O turista é um ser leviano. Acha que todo dia é de festa, ninguém precisa acordar cedo no dia seguinte; e namoros, noivados e casamentos podem ter uma pausa durante sua visita. Confesso que enfiei meu dedo em alguns bolos alheios, durante essas semanas todas de viagem. O turista acha que deve ser feliz todos os dias, todas as horas, mais ou menos como o viciado. Mas, para a maioria, a felicidade só acontece aos sábados (pronto! explicado o título do post) e o turista deve planejar muito bem o que vai fazer nesses dias preciosos de sua viagem.

Enfim, nada aconteceu em Osaka...



Nazarian finalmente encontra um veadinho:

"Ei, pitéu, você vem sempre por aqui?"

Veado: "Sai fora, você já comeu meu primo."

"Err... primo? Eu estava bêbado, e ele que me seduziu."

Veado: "Estou falando da RENA que você comeu na Finlândia. Rudolf, meu primo."


Ontem fui para Hiroshima. De lá, peguei a balsa direto para Miyajima, uma ilha linda-linda, patrimônio da humanidade. É repleta de veadinhos - os bichos - e eles vêm até os turistas, mendigando comida. Também comi ostras, comi polvo, passei algumas horas e voltei.

Aqui os veados são aceitos e respeitados.


(Por sinal, como tem veado nessa viagem, né? Digo, o bicho mesmo. As renas e alces da Finlândia e Suécia. O veado que comi na Alemanha. Fora as cabeças empalhadas que encontro em vários bares por aqui. O bicho está em alta. Quati já era. Veado é o novo quati. Vou avisar para o Ricardo Crestani - querido DJ de Floripa - vender a pele dele pra Yakuza. Ele tem um veado incrível tatuado no peito.)


E polvo.


E tempurá.


Preciso dizer que, de certa forma, me decepcionei com a comida aqui no Japão. Gosto de sushi, gosto de tempura, gosto de sukiaki, mas a comida do dia-a-dia é bem mais pesada do que eu esperava. Muito macarrão, muito arroz, muito carboidrato, fritura e carne de porco. Sushi é uma iguaria - e é gostoso, mas nada que não possa ser encontrado no Brasil (apesar de, por aí, a maioria dos restaurantes se limitarem a três tipos de peixe - salmão, atum e um "peixe branco genérico".)

Sobá... Ok, foto tirada há uns dois meses, em Campo Grande. Mas é basicamente o que se come diariamente por aqui.

Agora a viagem tem uma trilha muito especial - e esquizofrênica - com meu Ipod novo (de 160G) sincronizado não só com o meu Itunes, como também como do Cesar. Ele já viajou o mundo todo, e tem músicas (bizarras) de todos os lugares. O ecletismo é interessante, e de vez em quando entram coisas gostosinhas no meu shuffle, que eu mesmo nunca botaria no Itunes (como... "Já sei namorar, já sei beijar de língua, agora só me resta sonhar..."). Para ter uma ideia, quando cheguei no templo de Kiyomizu-dera começou a tocar: "I´m a barbie girl, in a barbie world..."

Nessa viagem ainda fui ao prédio "preservado", onde caiu a bomba de Hiroshima.


Agora estou de volta a Tóquio - para plajenar com muito cuidado meu final de semana. Fico aqui até terça, depois a viagem continua em sua etapa final... Amsterdã.


Mergulhado, mas seco.

25/10/2010

O MUNDO DE PONTA CABEÇA

Metrô em Tóquio. E ainda não é a hora do rush...

Ainda não estou entendendo nada....
A lendária melancia quadrada.

Meus dias aqui em Tóquio tem sido noites de farra, almoços, jantares, encontros e desencontros. Cesar, meu anfitrião, já morou em diversos países – México, Estados Unidos, Estônia, Peru – e já visitou mais de 50, então faz parte dessa comunidade multicultural que está me apresentando agora
Piquenique noturno.
Jaakko e Anni - finlandeses. Pra eles levei salmiakki, carne de rena e... carne de urso. Em lata, claro.
Brazucas e mezzo brazucas.

No final de semana, fomos a um piquenique noturno em pleno Yoyogi Parki, um churrasco de imigrantes americanos a uma hora de Tóquio e uma festa de modelos internacionais.
Loucas noites.

É tudo vagamente surreal, mas de certa forma dentro do esperado. Um excesso de informações, opções, sons e imagens. Muito difícil de se situar. O povo fala aquele inglês martelado, mas se esforça e é muito simpático … e beeeem bonito.
Diego é modelo, mestiço e brasileiro.
Causando no Fashion Bar.

Meu radar foi totalmente avariado. Praticamente todos os meninos são estilozinhos, cabeludinhos, delicadinhos. Era AQUI que eles estavam. Mas reconhecer quem é ou quem não é se torna uma missão impossível.
Com Pauline.
Apesar da androginia e da afetação, já não se vê tantos cabelos coloridos e montação pesada como na Tóquio retratada há alguns anos. Vi uma menina ou outra mais pirotécnica em Harajuko, e só.

Hoje fui fazer compras em Shinjuku. Não é barato, mas dá pra garimpar. Achei uma bota incrível por uns cem reais, e comprei meu terceiro Ipod (dessa vez um de 160G; vamos ver se agora o espaço me basta) por algo como R$ 450.

Sim, sim, tem presentinho pra você também...

Ensaio em Harajuko.
Cesar é ótimo fotógrafo - a maioria das fotos daqui é dele. Também estou precisando de uma nova máquina...

Esta é uma boa foto de divulgação...
Ainda quero viajar um pouquinho por Kyoto e talvez Hiroshima, mas são só duas semanas no total, Tóquio já é bastante dispendioso, e sei que minha experiência fica bem limitada sem entender a língua e com a precariedade do meu senso de localização.

...mas este é meu verdadeiro eu. (Com a Nat)

22/10/2010

LOST IN TRANSLATION

Tóquio.


Certo dia surgiu na floresta uma árvore de frutas incomuns, mais saborosas do que qualquer outra, mas para comê-las era preciso saber e dizer o nome delas em voz alta.

O Deus Tupã veio a cada um dos animais e disse o nome da fruta: Muçá-muçá-muçá muçá gambira muçá uê - nome que não era dos mais fáceis de se lembrar.

Então lá foi o quati até a árvore, comer a fruta, cantando pelo caminho o nome dela: "Muçá-muçá-muçá muçá gambira muçá uê."

No meio do caminho encontrou uma bruxa, que perguntou: "Meu bom quati, aonde está indo?"

"Estou indo comer a fruta Muçá-muçá-muçá muçá gambira muçá uê."

"Ahhhh," disse a bruxa, "já provei da muçamba muçarinda, uma delícia!"

"Não, não," disse o quati, "o nome é Muçá-muçá-muçá muçá gambira..."

"Sim, sim," reafirmou a bruxa, "a muça muçuarinda muçangaba."

E assim o quati esqueceu o nome da fruta e voltou de bucho vazio.

A história continua com o papagaio, a lesma, o bicho da seda e mais uma porrada de animais. Sempre a bruxa aparece, embaralha os nomes e o bicho acaba se confundindo. Se não me engano, só o Jabuti consegue se fixar ao nome da fruta e viver empapuçado para sempre.

Essa é uma lenda indígena que ilustra minha chegada aqui ao Japão.

No clássico cruzamento.


Estou em Shimo-kitazawa, oeste de Tóquio, na casa do queridíssimo Cesar. Ele mora aqui há quase cinco anos, fala bem japonês e tem me ciceroneado pela cidade. Ontem ele foi para a faculdade e eu me vi sozinho no Japão...


Meu finlandês melhorou instantaneamente.

No Japão você não consegue ler o nome das lojas, das comidas, entender uma palavra do que estão falando. Pode se tentar guiar pelo que está indicado em letras românicas – que não é muita coisa - nomes de estações, bairros; mas aos poucos tudo parece Muçá-muçá-muçá muçá gambira muçá uê.

Queria ir para Shibuya, fui para Shinjuko. Tinha de voltar para Shimo-kitazawa, ou era Shimura-sakaue, ou Sintomicho? Ou Kojimachi?

Você não tem referências, conexões, nada faz sentido e tudo parece... japonês.

Basicamente, passei o dia de ontem perdido pelas ruas, procurando estações de metrô, tentando voltar para casa.

Vir ao Japão é como nascer de novo; você perde a noção das coisas mais básicas – não só da língua, mas dos costumes, cultura, como se portar, quando tirar os sapatos...

Não consigo nem entender os caracteres da máquina de lavar do Cesar.

No final da tarde, ontem, fomos na academia – a KONAMI, da mesma empresa que faz a série de videogame Castlevania – o rapazinho da recepção pediu para eu “esconder as tatuagens,” porque aqui tatuagem é uma coisa da Yakuza. Não me abalei e continuei treinando de regata – até porque a academia era um forno pelo aquecimento.



Essas foram minhas primeiras impressões, minhas primeiras experiências. Vou ficar aqui duas semanas, então talvez com o tempo eu consiga me situar melhor, embora ache que eu precisaria de uma vida toda para entender esse lugar.

Bom estar com um ocidental que entende não só a língua mas a cultura, tem um ótimo repertório, uma sintonia comigo. E eu conheço bem... sei que não vai virar psycho como o falecido polonês.
Ainda morro atropelado aqui.

Ontem fomos de noite a Shimbuya, de bicicleta, comemos, bebemos e passeamos no parque de madrugada.


Primeiro prato mezzo-bizarro daqui: jambalaya de enguia. Gorduroso pra caralho.


17/10/2010

DE QUANDO JESUS ATRAVESSOU UM RIO DE PIRANHAS


Eu e Sasha, perdidos na noite.


Helsinque tem sido insana.


Além das carnes de urso, da neve que vai e vem e de um vento frio cortante, meus dias aqui têm sido uma profusão de shows, filmes e amigos de ocasião.


Conheci um soldado, um enfermeiro, uma adolescente alcóolatra, um personal trainer sósia do Emimem, um modelo russo que viaja o mundo seguindo a Lady Gaga.


Aliás, daqui a pouco falo dela...


Ontem me peguei explicando para um metaleirozinho liiiiiiiiindo, com um cabelo loiro comprido incríiiiiiiiivel, quem foi São Tiago, Santiago, quem fui eu:


"Sabe quando Jesus tentou atravessar o Amazonas?"
"Uh?"
"Tiago tomou a dianteira e disse: 'Meu senhor, deixe que eu vou na frente para certificar-me de que o rio é seguro.' Tiago entrou no rio e foi atacado por piranhas. Assim Jesus pode atravessar com o resto de sua trupe e Tiago se tornou um Santo, o Santo que livrou Jesus das piranhas."

Acabei contando essa história mais de uma vez.

Turku.


Voltei pra cá na quinta, vindo de Rovaniemi. Ainda passei o dia em Turku, cidade duas horas a leste de Helsinque. Bonitinha, mas nada especial. Voltei a tempo de pegar um show da Lady Gaga num estádio de hóquei.

Estou longe de ser fã dela. Essa coisa ultrapop não me convence. Fui mais pelo evento... e para fazer inveja às bichas amigas - hohoho. Foi divertido, mas saí de lá com uma visão PIOR do que eu tinha dela. E continuo não gostando das músicas.

Para começar, ela se propõe ser uma cantora de verdade - e é - mas está jogada naquele contexto de megashow com bailarinos, efeitos especiais, um cenário pirotécnico com figurinos horroroooooosos. Não se encaixa exatamente - me pareceu frágil e deslocada. Durante todo o show ela repetia: "Aqui nós não dublamos, somos músicos de verdade," mas a verdade é que grande parte das músicas ela cantava sobre bases pré-gravadas de vocais, para que soasse exatamente como no disco.

O show tinha um pseudo enredo, dela procurando o "Monster Ball", a "melhor balada da terra." Cafona até doer. Termina com ela encontrando o "Monstro da Fama", um boneco gigante que parece um peixe abissal, e os bailarinos fugindo dela. Sintomático.

O melhor momento, para mim, foi quando ela cantou duas músicas ao piano - com o piano pegando fogo. Mas foram duas músicas e só. O resto do show todo era aquela coisa de coreografias, drama e frases de efeito: "Vocês são lindos," "acreditem em vocês mesmos," "vocês são os superstars," "quero que vocês saiam daqui não gostando mais de mim, mas gostando mais de vocês mesmos." (Música pop de auto-ajuda?)

Eu esperava que ela fosse mais alternativa, mais esquisita. E tivessão mais culhão.

Ao ver o show, entendi porque a platéia era formada na sua imensa maioria por... crianças. Meninas, na verdade, com os pais. Pouca gente montada, até poucos gays, era quase tudo meninas pré-adolescentes mesmo.

Do meu lado, se sentou um egípcio (nascido no Cairo, ok? Não uma bicha fazendo a egípcia) com a namorada, coitada. Rapaz simpático - até demais - passou o show tentando sondar minha sexualidade. Eu até entendo que, como executivo de uma multinacional, ele sinta que precisa viver enrustido, mas quando Lady Gaga soltou seus hits, ele não conseguiu se conter...

O show ainda teve a abertura da banda de punk-poser Semi Precious Weapons. Fake até doer.


Carne de urso e o ingresso. Só para provar que eu estive lá.

Também fui duas noites ao cinema - meio para matar tempo naquele vácuo entre jantar e balada.



O primeiro foi "Mr. Nobody"; como diria uma crítica que eu li "a mess of a movie." Uma espécie de "Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças," com "Peixe Grande" e "Efeito Borboleta." Jared Leto faz o "último mortal vivo," com cento e poucos anos de idade, contando para seres imortais do futuro a história de sua vida, cheia de possibilidades conflitantes e contraditórias. Difícil de entender? É porque o filme é uma bagunça mesmo. Tem coisas bem bonitinhas - Jared é lindo, e PÉSSIMO ator - mas fica naquele tom "metafísico fofo, " com visual publicitário e a trilha sonora mais clichê do mundo, reciclada de diversos outros filmes.

Hum, acho que estou meio amargo hoje nas minhas resenhas...

Também vi "Buried", thriller minimalista do espanhol Rodrigo Cortés. É um ator trancado num caixão - um motorista de caminhão que é pego por terroristas no Iraque, enterrado vivo, e tem de tentar se salvar pelo celular, enquanto os terroristas exigem um resgate milionário. Isso aí, tem um celular e o celular tem sinal dentro do caixão, embaixo da terra; vamos considerar que isso é possível, que o filme se torna tenso e interessante.
Mais do que investir na claustrofobia da situação, o filme acaba revelando o inferno das esperas telefônicas e da burocracia, com o personagem à beira da morte tendo de aguardar na linha, falar pausadamente e com calma, enquanto tenta se comunicar com a polícia, com o FBI e com sua esposa. Me lembrou muito toda vez que tenho de falar como Banco do Brasil...

Antti Tuisko. Tosco.
Para terminar com as resenhas amargas do dia, ainda fui no show de Antti Tuisko- Who? Um cantorzinho vencedor do programa "Idols" daqui. Vi uma fila de menininhas na porta da boate gay DTM (que significa "Don´t Tell Mama", sacou?), perguntei o que era e resolvi conferir
O show era... Ah, chega de acidez por hoje - é a depressão de domingo, é a depressão... Vê a foto dele que você já pode imaginar o que foi.

13/10/2010

PERDIDOS NO CÍRCULO POLAR ÁRTICO


Chegando à Finlândia.


A Finlândia é minha paixão. E voltando pra cá, relembrei o porquê. É uma beleza, uma melancolia, uma vontade de se matar todos os dias... Talvez seja o país escandinavo mais escandinavo, mais isolado, preservado e desconhecido, ainda com algo autenticamente primeiro mundo, mas com um clima de cidade pequena.

A capital, Helsinque, é uma cidade de 500 mil habitantes, a maior cidade do país, e tem cara e clima de cidade portuária. Cidade portuária escandinava, é claro.

O navio em que cheguei.


Passei dois dias lá, e já vou voltar. Ontem peguei o trem noturno para Rovaniemi, na Lapônia, extremo norte, passando exatamente sobre o Círculo Polar Ártico.


Arregaçando o círculo.


Meu Eurail dava direito (ou melhor, desconto) a uma bela cabine privativa, e eu vim no trem baixando músicas para o Ipod, ora ou outra olhando pela janela, ouvindo um dos cds do Kwan - banda de hip-hop finlandesa que conheci da segunda vez que vim para cá, mas de quem agora estou virando fã de verdade, principalmente pelo íncrível álbum "Little Notes", que comprei ontem. É inteiro ótimo.]

Na estação.


Pouco antes de chegar, hoje de manhã, examinava a paisagem e me perguntava: "Cadê a neve?" Havia uma geada mais caudalosa aqui e ali, mas nada a fazer jus ao Ártico. O resto da paisagem era lindo-lindo, mas bem o que eu esperava: lagos, pinheiros, pinheiros, lagos.
O Ártico.

O Polo Norte, como você sabe, é a terra do bom velhinho, o velho Santa, Papai Noel, ou Joulopukki, em finlandês. E eles levam isso a sério, pelo menos mercadologicamente; construiram uma pequena vila e um parque temático. Foi o primeiro lugar que fui visitar, assim que cheguei aqui em Rovaniemi.


Bem... o parque estava fechado. E a vila não era nada além de um conglomerado de lojas de souvenir, uma espécie de "Natalie" in loco.


Não tinha nem um velhinho para eu sentar no colo. Então decidi ao menos procurar as renas. Estou no meio da Lapônia, comi língua de rena esses dias, queria ao menos abraçar uma viva e perdir perdão! A mocinha de uma das lojas me indicou uma fazenda de criação de renas, a dois quilômetros de lá, e eu convenci um argentino que conheci no caminho a procurar comigo.
Quando partíamos da "Vila do Papai Noel", eu brinquei com o argentino: "Olha lá, o Papai Noel à paisana." Depois que percebi que provavelmente era mesmo o Papai Noel à paisana, ou ao menos um dos que trabalha na Vila.


Ariel procura no mapa: "Cabron, donde estan los renos?"


A fazenda de renas estava fechada. Não conseguimos ver nenhuma rena e voltamos para a Vila do mesmo jeito que fomos. Chegamos tarde. Perdemos o ônibus de volta para a cidade e a mocinha nos aconselhou: "Por que não voltam a pé? Está um tempo tão agradável..."
"São só oito quilômetros. Em meia hora vocês chegam..." (Oito quilômetros em meia hora?) "De repente no meio do caminho vocês veem renas, lobos, wolverines..." (Wolverine o bicho - meio urso meio lobo - não o X-man, ok?)


E voltamos mais oito quilômetros, na estrada, até a cidade. O tempo estava mesmo agradável (cinco graus no Círculo Polar Ártico? Diz aí? Eu vim preparado para muito mais - ou menos), a vista era linda e o Ariel foi ótima companhia. Isso sim é que é viajar.
Amigos de estrada. Já conquistei uma meia dúzia desses nesta viagem, que nos tempos de hoje ficam preservados no Facebook.


Agora estou no centro de Rovaniemi (cidade de 50 mil habitantes), escrevendo num café (que toca música brasileira) e esperando meu trem noturno de volta a Helsinque.
O mais próximo que pude chegar das renas. Essa empalhada, na capital, velha conhecida.


Enfim, a Finlândia está uma delícia - suave, macia e carinhosa - permanece como o país do topo da minha lista. Fico aqui até a próxima terça.



Para terminar, antes que eu me esqueça, vamos ao pratos exóticos dos últimos dias:

Guaiamum my arse! Isso é que é caranguejo. Comi um belo King Crab (ou centolla) agora há pouco em Rovaniemi.
Bolo de carne de alce. Gostoso. Mas é um bolo de carne.


E...

Urso! Vi no mercado público de Helsinque e TIVE de comprar. Salame de urso. Comi hoje de manhã no trem. Tem gosto de... salame.


Nem imagino que bizarrices eu vou comer no Japão (sim, ainda vou pro Japão, ok? Daqui a uma semana.)

Depois de comer até urso, só me resta a academia. Sim, ESTOU indo na academia em Helsinque. Foi-se o tempo em que eu conseguia manter o corpinho à base de danoninho.

VIVA LA RESISTENCIA

Do alto de Medellin.  Voltando da Colômbia, após cinco dias em Medellin, numa daquelas viagens mais proveitosas do que divertidas. Via...