27/01/2008

REALISMO BIZARRO





Finalmente assisti a versão de “Halloween” do Rob Zombie.

Estava preparado para falar mal. Na verdade, enquanto assistia o filme fiquei chocado com a heresia que fizeram com o original, e achei longo, cansativo. Mas agora, pensando bem, o filme tem seus prós.

É um misto de prelúdio e remake do original. Mostra a infância do psicopata Michael Myers, suas primeiras matanças, e vai até o final do primeiro filme, quando ele já está adulto e perseguindo sua irmã numa noite de Halloween.

Não funciona nem como prelúdio nem como remake. O Michael Myers do Zombie não tem nada a ver com o Michael Myers que já conhecemos. É um moleque gorducho e metaleiro, que mora numa casa com um padrasto alcoólatra e uma mãe stripper. Nesse mundo cão, Michael desenvolve seu lado homicida, mata a família e acaba internado numa clínica. Daí, com o passar do tempo vai se tornando a figura calada e misteriosa que aparecem nos filmes da série.

Mas se o Halloween original era elegante, sombrio e pouco explicativo, este é um Halloween do mundo cão. Todos os personagens são junkies, desbocados, depravados (e TODOS Os personagens, inclusive os homens, usam cabelos compridos) e você fica torcendo para que todos morram o mais rápido possível.

Os personagens da segunda metade do filme são pouco explorados. A mocinha do filme, propriamente dita, só aparece depois de uma hora e você nem conhece e nem torce por ela. O Michael que aparece nessa segunda metade também não tem nada a ver com o Michael do começo do filme, parecem seres diferentes (tudo que se passaram 15 anos no filme, mas...).

Entretanto, o filme tem grandes pontos positivos: É um filme diferente, principalmente dentro de uma franquia de serial-killer. Tem uma abordagem bem mais realista, crua (desde a forma como foi filmado até a trama). E consegue ser REALMENTE um filme de terror, com cenas fortes, de impacto, não é um filme adolescente. Tem coisas bem pesadas, consegue incomodar.

Com tudo isso, acabo pensando que o filme é válido por realmente inovar dentro de uma franquia já saturada. Provavelmente é a melhor seqüência dos filmes Halloween, mas está longe de poder ser comparado ao original.
Enfim, refilmagens geralmente não dão certo, mas há alguns anos disseram que o Tarantino refilmaria “Sexta-feira 13”, isso seria interessante. Também seria legal uma “prequell” do Freddy Krueger, mostrando-o como um assassino real de crianças. E já está para estrear um remake de “Funny Games” dirigido pelo próprio Michael Haneke (como alguém refaz seu próprio filme, menos de dez anos depois de rodar o original?). O remake de “Psicose” do Gus Van Sant, eu nunca tive coragem de ver. Bem, "O Chamado" americano é um bom remake.

Continuando na programação cultural deste final de semana, também vi a exposição do (fotógrafo) David LaChapelle no Mube. Péssima. Eu já não gosto do LaChapelle, acho que é tudo publicitário demais (no mesmo terreno kitsh, prefiro bem mais Pierre & Gilles), e o Mube conseguiu (mais uma vez) montar uma exposição da maneira mais amadora que existe. Em primeiro lugar, não há grande quantidade de fotos. Em segundo (e mais grave) é que a exposição foi montada de uma maneira ABSURDA, com uma luz direta, em que basta o público se colocar diante da foto para projetar uma sombra imensa sobre ela - e não estou falando de uma sombrinha, não, você pode até brincar de teatro de sombras SOBRE as fotos. Ou seja, você não consegue ver as fotos direito porque você mesmo faz uma mega-sombra sobre elas. Dá para uma mostra ser mais amadora?
LaChapelle.

Um pouco mais interessante é a exposição de arte finlandesa, que acontece também no Mube . Achei os óleos péssimos, mas as gravuras e fotos são boas. Pena que a exposição é pequena. O Mube nunca aproveita bem seu espaço.

Por último, deu tempo de ir ao teatro, ver “A História Dela”, da querida amiga Gabriela Mellão, no Satyros Dois, um texto afiado e afinado sobre a relação de um casal ao longo dos anos. Fica em cartaz até final de março.


Deu vontade novamente de escrever para teatro. Mas ainda não me sinto capaz.

23/01/2008

POBRE PAULISTA, POBRE SÃO PAULO.



Então é mais um feriado, feriado de aniversário de São Paulo?

Ai, já não teve reveillon há algumas semanas? Carnaval semana que vem? Páscoa, Olimpíadas e Campeonato Brasileiro? Será que a gente não pode colocar um diazinho cotidiano atrás do outro pra eu tentar me encaixar nos trilhos?

Muito bem. Fiquei pensando esses dias o que é ser paulistano, o que é morar em São Paulo. Percebi que quase ninguém que eu conheço nasceu aqui. Acho que, dos escritores, eu sou o ÚNICO realmente paulistano. E talvez por isso, eu seja o menos paulistano que existe.


Nasci no Jardim América. Depois morei no Itaim e no Jardim Paulistano. Atualmente moro na Bela Vista. Estudei no Itaim, em Pinheiros, na Santo Amaro, na Faap. Aprendi a andar de bicicleta no Ibirapuera. Beijei pela primeira vez nem lembro onde. Beijar menino eu lembro que foi na Consolação...

Lembro de quando eu ia estudar no Sacre Couer e passava pela fábrica da Kopenhagen, que ficava no Itaim e espalhava um cheiro de chocolate por todo o bairro.



Desde essa época sou viciado em Nhá Benta.




Meu programa favorito, quando eu era criança, era ir ao Instituto Butantã, depois foi jogar boliche, ir na Loca, na Torre. Hoje acho que é ficar em casa, bem acompanhado.



Fiz mais de um aniversário no América, a lanchonete.




Na adolescência, ia de metrô dos Jardins até a Penha, carregando um teclado enorme, pra ensaiar com minha banda. Quando mudamos o local de ensaio para Pinheiros, fui assaltado na porta do estúdio e roubaram meu teclado.

Falando em banda, subi num palco pela primeira vez no extinto Retrô, en Santa Cecília. Minha banda era ruim de doer. O vocalista era o Leandro Cunha, hoje do Multiplex. E entre os músicos que tocaram na mesma noite estava o Adriano Cintra, hoje do Cansei de Ser Sexy.

Fui em todas as Bienais de arte, desde que me lembro. Minha mãe trabalhou em algumas. Algumas tinham trabalhos do meu pai. Eu mostrava para os colegas da escola. Hoje, um dos quadros que foram expostos lá está aqui na minha sala.

É esse aqui:









Acho que o máximo de tempo que fiquei sem visitar SP, quando morava fora, foi de 8 meses.



Meu primeiro salário veio da Livraria da Vila. Fui vendedor lá, por pouco tempo.

Meu primeiro trabalho foi na Young & Rubicam, na Avenida Faria Lima (antes de trabalhar na Livraria da Vila). Como era estagiário, eu não tinha salário. Nem ticket refeição.

na minha infância, minha vó tinha uma casa na Rua Colômbia, e a gente sempre comprava revistinhas do Hulk na banca em frente. A banca ainda existe, mas não tem mais casas por lá. A da minha vó virou uma concessionária Mercedes-Benz.







Nossa! Eu tinha essa revista do Hulk. E comprei nessa banca, na Colômbia com Groenlândia (viu o que é uma criança do Jardim América). Achei a capa na net.

A família da minha mãe é de imigrantes armênios, que estão há tempos em SP. A do meu pai está aqui nem sei desde quando.




Tinha essa revistinha também.




E essa! (ah, desculpa, é que fiquei emocionado de achar a capa dessas revistinhas na net. O que é viver numa época tecnológica e nostálgica, não é mesmo?)




Ok. Olha eu e minha mãe na rua que moro atualmente, em foto do ano passado (Globo.com):




Lembro da Monga do Playcenter, antes de pegar fogo. Ficava ao lado do trem-fantasma. Agora ela está de volta, né?

Aliás, a última vez que fui ao Playcenter faz uns 6 anos, e achei bem decadente.

No Hopi-hari eu nunca fui. Não é do meu tempo. E também não vem ao caso porque não fica em São Paulo e este post é só sobre a cidade.

Naveguei no rio Tietê uma vez, na peça “Br 3”. O desfile da Cavalera não conta, porque o barco ficou parado.

Cavalera à margem.




Não, não, não me lembro do rio Tietê despoluído.



Mas ainda lembro dos cinemas de bairro que tinham pinturas de cartazes dos filmes do Freddy Krueger, como o Chaplin, da Sto Amaro. Eu sempre morri de vontade de entrar nos filmes do Freddy Krueger, mas só conseguir ir no cinema mesmo a partir do quinto.


Era esse aqui:





Vi esse filme no shopping Iguatemi. Acho que o Iguatemi hoje em dia não passa mais filmes tão toscos. Só os hollywoodianos de calibre.


Aliás, lembro que quando eu tinha acabado de voltar da Inglaterra, com 16 anos, fui ver "O Anjo Mau", com o Macaulay Culkin, no Shopping Iguatemi. Era um dia de semana a tarde, e quem vai ver um filme desses em dia de semana de tarde? Bem, um tiozinho veio sentar do meu lado e puxar papo. Na época não entendi direito...


E não faturei um centavo.


Alguns meses depois, outro rapazinho puxou um papo semelhante, numa loja de aluguel de smoking, na Rebouças. Eu ia pra uma festa de quinze anos. Ele era bonito. E pela primeira vez eu pensei que poderia...

Vi cobra uma vez na rua, indo pra casa da minha namorada no Morumbi. Será que isso é que mudou tudo?

Vi também coruja, há uns seis anos, na casa da minha mãe no Jardim Paulistano.

Jacaré aqui em SP eu nunca vi.

Fui mordido por um cachorro uma vez, na Faria Lima. Tive de tomar vacina por dez dias no Instituto Pasteur, na Avenida Paulista.

Hoje moro tão perto da Paulista que já perdeu a graça. Mas lembro de uma época que eu a achava bonita.

Nunca fui ao reveillon na Paulista.


Ah, minto, fui uma vez, mas já tinha acabado a festa. Chegamos tarde. Fui com o (hoje DJ) Max Blum. A gente tinha uns 18 anos.


Fiz minhas primeiras tatuagens com a Zuba. Lá fiz meus primeiros piercings também.

Olha minha foto com ela em lançamento do meu primeiro livro. Essa saiu no Estadão, foi minha primeira foto como "autor":





Essa foi minha primeira foto em jornal, na Folha, em 97:


O ser em questão sou eu, com 19 anos.


Não não, nunca fui gótico de cemitério. Mas ia ao Madame Satã. E montado.

Olha só (aí eu tinha 19 anos):




Tentei alugar um apartamento em frente ao cemitério, na Sergipe, ano retrasado. Mas não me aceitaram.

Aliás, até os 22 anos, quando fui morar sozinho, eu só tinha morado em casas.





Nunca brinquei na rua.

21/01/2008

UMA VIDA SEM ROMANCE




Ilustração: Alexandre Matos.






E foi-se tudo o que eu sei de moda.



Acabou hoje mais uma temporada do SPFW. Fiquei por lá diariamente, no lounge House of Palomino, fazendo minha página “O Caminho de Santiago”.

Assisti a menos desfiles do que na temporada passada. Também não estava tão na necessidade de entrar no âmago do evento, porque já sabia mais ou menos onde pisava. Então vi algumas coisas, complementei com outras e ficou uma coluna divertida. Consegui ver desfiles legais, propostas diferentes, como a pista de patinação do Fause e a Cavalera se apresentando às margens do Tietê.
O rio Tietê continua lindo! (Domingo de chuva com os fashionistas)


Achei esta temporada mais glamurosa e mais concorrida do que a última. Mais celebridades apareceram, e menos amigos. Os desfiles também parece que tiveram um peso e um significado maior. Mas eu não vou me atrever a fazer análise aqui não, porque pra isso tive minha coluna, onde podia escrever qualquer tipo de bisonhice.







As festinhas eu não aproveitei muito. Passei rapidinho na da Zapping (porque afinal eu que assino o manifesto novo da marca deles) e só. Foi legal encontrar por lá a Luisa Sá e o Adriano, pessoal do Cansei de Ser Sexy (ou CSS?), que há tempos eu não via. Sempre foram queridos, e merecem tudo o que estão conquistando lá fora. Pena que uma banda como a deles não tem jeito mesmo de crescer no Brasil.


Trabalhando (foto Paulo Giandaia)

Mais uma vez contei com toda a simpatia e apoio de Miss Palomino e seu clã. Como há seis anos eu não tenho um cotidiano de trabalho (ou um emprego fixo), é legal poder passar esses períodos convivendo diariamente num ambiente de trabalho com gente legal, que respeita meu ponto de vista, que me dá ferramentas para eu fazer o que eu quero. E a galera conteudista pode fazer cara feia, mas no final, quem trabalha com moda é o mesmo povo que trabalha com cultura em geral, jornalistas, fotógrafos, ilustradores...






Eu e Jana-janessa, antes de um desfile no Mam.







Minha página diária também serviu para deixar claro (para mim mesmo) o papel do escritor. Porque muitas vezes parece que a gente não tem serventia. Não é jornalista, não é teórico de nada. Mas daí eu vejo que me chamaram exatamente por isso. Porque eu posso dar pinceladas de jornalismo, mas o que eles querem mesmo é um olhar diferenciado, alguém que consiga criar em cima dos temas, sublimar a realidade, trazer algo além do que está acontecendo realmente.






Um bom exemplo foi minha "cobertura" do desfile da Cavalera no Tietê. Fui para lá, fiquei pensando em tudo o que eu poderia escrever. E como jornalismo, como moda, tinha gente muito mais competente lá cobrindo. Então minha coluna foi uma crônica em cima de O QUE TERIA ACONTECIDO SE A CAVALERA FIZESSE UM DESFILE NUM RIO DESPOLUIDO, NUM DIA DE SOL.






E por isso mesmo, acho que eu merecia, que eu devo, que devem, que algum editor inteligente deveria me mandar para Pequim, cobrir as Olimpiadas. Ou vão mandar só os repórteres esportivos de sempre?








E agora, Joseph? Qual será o cimento que irá grudar meus dias uns nos outros? Ah, preciso urgentemente reler-revisar meu livro novo, “O Prédio, o Tédio e o Menino Cego”, mas me dá uma preguiça... e uma tensão... e um desânimo... Escrever romances é uma delícia. Terminar é doloroso. E depois, o processo todo de preparar para a publicação, a expectativa, a tensão, a ansiedade em saber como o livro será recebido... é tudo tão difícil. E tudo tão lento. E tudo tão jabuti... que nem sei.



Bom foi ano passado, que não lancei nada e só colhi frutos de romances passados.





Mas vamos lá, que é esse o meu trabalho e tenho de estar preparado para a batalha. Prometo colocar mais detalhes em breve aqui, inclusive a data do lançamento. É que realmente ainda não sentei pra conversar com a editora. (Nem sei se vou sentar, porque não espero ir pro Rio tão cedo, só se for um bate-volta).




Não sei nada ainda do meu ano literário, para onde vou viajar, se vou pra Itália lançar livro, tem também uma história no México, e não sei nem se vou fazer a Bienal do livro de São Paulo!


Mas que o livro novo sai, sai. Já está prontinho. E nem acredito que já fizeram comunidade pra ele no Orkut.



Bom saber que a ansiedade não é só minha.







No mais... Estou há 60 anos sem sexo.


E esta é a melhor música do mundo hoje pra mim:

http://www.webratsmusic.com/video-45022-come-in-from-the-cold.php

15/01/2008

A TEORIA FASHIONISTA DO CAOS



Foto: Joel Peter Witkin

Já é inverno, já começou a nevar e eu nem chupei meu picolé. Ao menos nesta nova temporada de moda em SP....

Começa amanhã mais um São Paulo Fashion Week e eu estarei de volta com minha página-coluna, "O Caminho de Santiago", no veículo oficial do evento.

O "Journal" do SPFW é editado pelo clã da Erika Palomino, e ela me convidou na edição passada a expor minha visão particular do evento. Foi divertido. O pessoal gostou. Eu fiquei feliz. Todo mundo ficou feliz. Então voltei agora, na edição outono/inverno 2008.

Não sou lá um grande especialista em moda, é verdade. Mas Erika sempre foi querida e me deu carta branca para eu seguir meu próprio caminho. O tema desta edição facilita: "O Caos Urbano", "O lugar do indivíduo", "São Paulo, uma Babel para o século 21", tudo o que eu rumino diariamente no meu cházinho da tarde.

E agora, além de ser distribuido no evento, o Journal também vai encartado no Estadão, então quem não passar por lá pode conferir minha coluna no conforto da sua casa, desta quarta-feira até terça da semana que vem. Prometo que vou tentar escrever menos bobagens do que da última vez... E garanto que não vou conseguir.

Como um "plus a mais", minha página será ilustrada por Alexandre Matos, um jovem artista plástico que está responsável também pelas ilustrações do meu próximo romance.

Ainda não vou colocar nenhuma ilustração do livro aqui, mas vocês podem conhecer o trabalho dele no:

http://www.alexandrematos.com/

Nesse ritmo de coleções, lançamentos e abertura do ano, me encontrei hoje com o fashionista literário Marcelino Freire. Constatamos com surpresa que grande parte dos "novos autores" estão lançando livros nos próximos meses: Marcelino Freire, Santiago Nazarian, Clarah Averbuck, Cristiane Lisbôa, Joca Terron, Daniel Galera, Ivana Arruda Leite, Marçal Aquino...

E os jornais vão continuar divulgando. O público vai continuar não comprando. Os recalcados vão continuar chochando e assim segue a bela literatura contemporânea.

Isso é tudo o que tenho a dizer hoje.

11/01/2008

MUNDO ESTRANHO


Ké?



Dia desses achei aqui entre minhas coisas um cd do Ké. Lembra do Ké? Eu nem lembrava mais que ele existia, nem lembrava que esse cd existia, nem lembrava se era um cd de bom gosto.

Então taí, redescobri o Ké, cantor americano esquisitinho dos anos 90, meio lindo meio horroroso, com voz andrógina e um clipe bizonho na privada. Olha só:

http://www.youtube.com/watch?v=qOeiukzpXtM&feature=related

Essa é a música que abre o cd. E a única coisa próxima de um hit que ele teve. O resto do álbum vai na mesma toada, meio deprê, meio rock acústico, um vocal meio Cranberries, meio Michael Jackson, meio Alison Moyet... Se é que alguém pode ter tantas metades assim.

Ah, aliás Alison Moyet é outra que preciso redescobrir. Tó link dela:

http://www.youtube.com/watch?v=myLExi2Vres


E parece que o Ké lançou mais dois álbuns, que eu não tenho, nunca vi e nem consigo baixar. Eu quero. Me dá.

Outra coisa que estou ouvindo incessantemente é o álbum ao vivo do Rufus, cantando os sucessos de Judy Garland. Ele reproduziu o show dela no Carnegie Hall, música por música, no ano passado. Depois lançou um cd duplo e um DVD.

O DVD eu ainda não vi. Mas eu quero. Me dá.

Que mais tenho ouvido? Mika, Cranberries e Stevie Wonder. E esses dias revi o filme “As Bruxas de Eastwick”. Não é muito meu tipo de filme, essa coisa Hollywoodizona Oscar, prefiro cinema arte ou cinema lixo. Mas achei esse divertido. É bem sinal de uma época. E astros desse tipo não existem mais, né? Estão todos ficando velhos...


Tipo a novela das oito... que é patrocinada pelo Ivo Pitanguy. Mas esta eu não assisto.
Hum... que mais... Quanto assunto...

Bem, nada mais. Esperava deixar você entretido com os links.

Paty-beijo.

09/01/2008

NOVIDADES DO ANO NOVO










- Isso, esse é o título do meu próximo romance, que sai no começo do segundo semestre (data ainda a confirmar).

- "Mastigando Humanos" vai ser lançado na Itália, pela Cavallo di Ferro.

- Semana que vem, volto à minha página diária no jornal do São Paulo Fashion Week, feito pela equipe da Erika Palomino. Depois dou mais detalhes aqui.

- Mês que vem devo voltar ao sul, a trabalho.

E pronto, meu ano começou. Tem sido prazeroso ficar trancado novamente no meu apartamento, trabalhando no PC, abrindo mil arquivos e mexendo em mil textos. Sozinho como sempre, na hora extra de mim mesmo.




O que me dói mesmo é o siso, para variar. Há anos e anos que ele incha e desincha. Minha dentista se recusa a extraí-lo. Ela diz que uma extração pode deformar minha caveira. Que quando eu for assombração, um dente a menos pode me desviar do caminho do bem. Ainda mais sendo este dente o extraído. O dente do juizo. Eu entendo. Mas será que ela acha que serei uma assombração tão logo? Será que não perderei mais nenhum dente até lá? Será que não terei de ser uma caveira com fixador de dentadura, espinha curvada, esqueleto amarelado?


Se hoje minha caveira é negra, foi por todos os seus cigarros...



O que fazer do siso, do dente do meu juizo, o dente do meu juizo final?




04/01/2008

VIVA O SONHO TROPICAL


2008 o caralho. Me traz mais uma porção de 2007.


Ai, quero sofrer em novos cenários....




Acabo de voltar de Floripa e me sinto como uma menina de quinze anos que sonha em morar na praia e vender pulseirinhas para sobreviver... Hohoho.

Ok, não venderia pulseiras, mas faria versinhos, dançaria o chachachá, faria qualquer coisa que me pagasse razoavelmente. Não quero mais Augusta, não quero mais São Paulo, não entendendo o que estou fazendo tanto tempo nesta cidade suja, se nada mais me prende aqui.

Estou esperando ser preso?



Também, o que meus leitores de outros estados estão pensando? Por que só me aparecem propostas indecentes e ninguém me oferece uma proposta de trabalho? Me faça uma proposta decente que eu vou, para qualquer lugar, para o seu lado, destilar minha metropolidade na sua costa, nas suas costas, na sua janela, só me tire desta cidade! Não quero mais comer lula entre as putas!
(Aliás, pensando agora, leitores em geral só me escrevem cobrando. Podem agradecer pelos meus livros, podem elogiar meu blog, mas só pedem conselhos, querem que eu leia contos, que eu indique leituras. Algum me indica trabalho? Algum me manda presente de Natal? Não... Nem um panettone Tommy. Escritor se acostuma mesmo a achar que as pessoas fazem um favor em lê-lo. Ok, tem alguns poucos leitores mais dedicados... e tem aqueles 10% que eu ganho quando você compra meus livros... mas acho que a Sheila Mello recebe mais de seus fãs... Aliás, a Sheilla Mello ainda existe? Com certeza ela está vivendo o sonho tropical. Escritores podem viver o sonho tropical? Escritores podem ao menos se bronzear? Ou têm de cultivar protuberâncias entre quatro paredes?)
(minhas protuberâncias são um tumor no cérebro)

Muito bem, as férias. Passei o reveillon no sul da Ilha (de Florianópolis). Foi algo bem tranqüilo, sem grandes baladas ou putaria, mas também não consigo ficar naquele ritmo deitadinho na rede. Seguimos em trilhas, longas caminhadas, longas seqüências de camarões, caipirinhas e frutos do mar. Tudo lindo e tudo delicioso. Uns calos a mais nos pés. Uma cor a menos nas minhas tatuagens...

A virada em si não teve nada. Acabamos deixando tudo pra última hora e nem ceia conseguimos. Nem seio conseguimos. Só achamos um quiosque de hot dog na Lagoa, mas era na Lagoa. Melhor comer hot dog de frente para o mar do que frutos do mar de frente para o tráfego... e para o tráfico.



Na contagem regressiva, arranquei as roupas e pulei de cueca no mar. Assim entrei em 2008 (e a cueca nem era branca... ai,ai...)

Nazarian e Coelho no show da virada.



André Coelho me recebeu muito bem em sua casa de praia (como sempre). E estávamos com amigos bacanas. Conseguimos até assistir filmes cabulosos nos momentos de pausa - "Cabin Fever" do Eli Roth (de "O Albergue") e "Palindromos" do Todd Solondz (de "Felicidade"). Já entraram para os favoritos.



Ah! E comi açaí pela primeira vez na vida, acredita? Gostei.
Nossa ceia de reveillon.



Também encontrei vários leitores queridíssimos, gente que há muito cruza comigo aqui pela rede e que finalmente deu as caras. Serviu para estreitar meus laços com Santa Catarina. Adoro esse estado. Quero morar lá. Quero conhecer o (apresentador) Cacau Menezes. Será que ele me entrevista no lançamento do meu próximo livro?

Piratas no Pântano do Sul.




2008 ainda está de stand-by. Não vejo ainda motivo para saltar um dígito. Não sei o que será de mim. Tem meu livro novo a ser lançado no segundo semestre, fora isso, nada. Nenhuma novidade, nenhum novo trabalhinho, apenas trabalhos do ano passado a serem concluídos.
E meu iguana a alimentar...


“Onde está você? Eu continuo aqui, neste prédio, no tédio que é a minha vida, para onde eu poderia ir? Agora há ainda menos motivos para sair, com os meninos desaparecendo e essa praga toda de zumbis. Essas coisas só acontecem aqui. Sempre te disse que essa cidade estava podre, e agora parece que todo mundo começou a notar.”
(trecho do meu novo romance.... Não disse?)


As viagens agora só continuam no papel. Fiz uma crônica pra revista da Joyce deste mês, uma espécie de "Minhas Férias", com férias que não aconteceram. Na Elle tem uma matéria com escritores e dicas de viagem. Indiquei Santiago do Chile - Hum, também posso morar lá, se você me chamar.





E nada mais.

VIVA LA RESISTENCIA

Do alto de Medellin.  Voltando da Colômbia, após cinco dias em Medellin, numa daquelas viagens mais proveitosas do que divertidas. Via...